Palestra com Dr. Nilton Jorge Melo

Veja os principais tópicos da palestra sobre cooperativa, Ministrada pelo Dr. Nilton Jorge Melo

Cooperativismo - uma visão de mercado

O cooperativismo, conforme o conhecemos, nasceu há pouco mais de um século e meio. Por volta de 1750, surgiu a industrialização na Europa. Com ela, a sistematização do trabalho. Estava criada uma nova realidade social.

O mundo deixava de ser apenas agrícola e pastoril. Um novo elemento - a Fábrica - estava sendo introduzido na história da humanidade. A Europa inteira começava a se "enfeitar" de fábricas.

Que maravilhosa invenção aquela, em que o produto final dependia da sinergia do trabalho de cada um. Por isso, trabalhavam dezesseis horas por dia, só descansavam aos domingos, aceitavam as condições insalubres do trabalho e a baixa remuneração.

Foi no interior da Inglaterra, mais especificamente nas regiões de Yorkshire e Lancashire, que se fizeram sentir, mais agudamente, os benefícios e os rigores da Revolução Industrial.

Foi nesse ambiente que nasceu a "Cooperação", escrita com hífen, àquela época. A Co-operação foi resposta de uma pequena e sofrida sociedade ante a opressão do capitalismo nascente.

Criou-se um novo estilo de vida que, nascido das opressões sociais geradas pela revolução industrial inglesa do século dezoito, frutificou e é exemplo até os nossos dias.

Cooperativa é uma associação autônoma de pessoas unidas voluntariamente para fazer frente às necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade conjunta e democraticamente controlada. VALORES.

Baseiam-se nos valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Seguindo a tradição de seus fundadores, seus membros acreditam nos valores éticos de honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação com os demais.

PRINCÍPIOS COOPERATIVISTAS

São organizações voluntárias abertas a todas as pessoas aptas a usar seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades de sócio, sem discriminação social, racial, política, religiosa e de gênero.

2º- CONTROLE DEMOCRÁTICO PELOS SÓCIOS

São organizações democráticas controladas por seus sócios, os quais participam ativamente no estabelecimento de suas políticas e na tomada de decisões. Homens e mulheres, eleitos como representantes, são responsáveis para com os sócios, que têm igualdade na votação (um sócio, um voto); as cooperativas de outros graus são também organizadas de maneira democrática.

3º - PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA DOS SÓCIOS

Os sócios contribuem de forma eqüitativa e controlam democraticamente o capital de suas cooperativas. Parte desse capital é propriedade comum das cooperativas. Usualmente os sócios recebem juros limitados (se houver algum) sobre o capital, como condição de sociedade. Os sócios destinam as sobras aos seguintes propósitos: desenvolvimento das cooperativas, possibilitando a formação de reservas, parte dessas podendo ser indivisíveis; retorno aos sócios na proporção de suas transações com as cooperativas e apoio a outras atividades que forem aprovadas pelos sócios.

4º- AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA

São organizações autônomas para ajuda mútua controladas por seus membros. Entretanto, em acordo operacional com outras entidades, inclusive governamentais, ou recebendo capital de origem externa, elas devem fazê-lo em termos que preservem o seu controle democrático pelos sócios e mantenham sua autonomia.

5º- EDUCAÇÃO, TREINAMENTO E INFORMAÇÃO

Proporcionam educação e treinamento para os sócios, dirigentes eleitos, administradores e funcionários, de modo a contribuir efetivamente para o seu desenvolvimento. Eles deverão informar ao público em geral, particularmente os jovens e os líderes formadores de opinião, sobre a natureza e os benefícios da cooperação.

6º - COOPERAÇÃO ENTRE COOPERATIVAS

Atendem seus sócios mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativo trabalhando juntas através de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais.

7º - PREOCUPAÇÃO COM A COMUNIDADE

Trabalham pelo desenvolvimento sustentável de suas comunidades, através de políticas aprovadas por seus membros.

DIREITOS

" Apresentar idéias, sugestões, propostas e críticas. " Propor aos dirigentes medidas de interesse da cooperativa. " Participar dos serviços da cooperativa (assistência técnica, social e educacional). " Conhecer e ter cópia do estatuto. " Participar das assembléias gerais e de reuniões da cooperativa. " Convocar (com 1/5 ou 20% de outros associados) uma assembléia geral. " Pedir esclarecimentos aos dirigentes (membros do Conselho Fiscal). " Zelar pela integração de sua cooperativa com outras e com o Movimento Cooperativo. " Ser tratado igualitariamente em relação aos demais associados no acesso às decisões e aos benefícios " Destituir os dirigentes (em assembléia) quando por corrupção, incompetência ou má administração. " Renovar periodicamente os dirigentes da cooperativa. " Escolher seus coordenadores e representantes.

DEVERES

" Conhecer e difundir os valores, princípios e normas da cooperativa (adquirir uma "cultura cooperativa"). " Votar nas decisões em geral e, em particular, na eleição dos dirigentes. " Aceitar a eleição para função de direção na cooperativa.

O MUNDO HOJE

O mundo hoje é marcado pela globalização da economia e do mercado, que determina as tendências do progresso da ciência, da tecnologia, da agricultura, da indústria, enfim, determina as novas formas de estruturação da sociedade capitalista.

PROFISSIONALIZAÇÃO DA GESTÃO

No que diz respeito à gestão, nas cooperativas mais simples prevalece o princípio da autogestão, em que os próprios associados eleitos como dirigentes exercem a administração direta dos negócios - coincidem, neste caso, as prerrogativas da direção e da gestão empresarial. Porém, nas cooperativas com maior complexidade administrativa, e que atuam em mercados e atividades mais dinâmicas, a gestão passou a requerer um maior grau de profissionalização e, portanto, investimentos na qualificação de profissionais no mercado de trabalho - os gerentes e demais colaboradores.

A EDUCAÇÃO / CAPACITAÇÃO COOPERATIVISTA

As atividades de comunicação e educação cooperativista devem ser a base da prática administrativa de uma cooperativa, com vistas a promover a identificação dos associados com sua organização. Na cooperativa a participação não pode ser imposta. Esta deve resultar de um movimento espontâneo de adesão que se origina no indivíduo e que se expressa em atividades solidárias que o levam a compartilhar direitos e deveres com os demais membros do grupo.

COOPERAÇÃO:

UM PROCESSO SOCIAL

Cooperação é uma das palavras mais utilizadas na atualidade. Fala-se de cooperação entre países, entre empresas, entre instituições de ensino e pesquisa, entre comunidades, enfim, entre todo tipo de organizações. Acredita-se que é possível alcançar melhores resultados atuando por meio de parcerias, acordos e ações conjuntas, do que atuando isoladamente. Segundo dados da OCB, Organização das Cooperativas Brasileiras, há 7.355 associações espalhadas pelo país, criando mais de 182 mil empregos em várias áreas, do setor agropecuário ao turismo, educação, saúde, consumo, habitação e esporte, entre muitas outras. São cerca de 6 milhões de cooperados envolvidos numa cultura de geração de renda compartilhada. Para ter uma noção da importância das cooperativas na economia nacional, apenas no ramo agropecuários no Estado de São Paulo, no ano passado, foram movimentados mais de R$ 7,5 bilhões. Segundo dados da Aliança Cooperativa Internacional, que reúne associações de vários países, há mais de 800 milhões de pessoas envolvidas em cooperativismo em todo o mundo, gerando mais de 100 milhões de postos de trabalhos. A história recente nos ensina que foram justamente as ações solidárias e a cultura do cooperativismo que conseguiram fazer renascer das cinzas a economia de tantos países arrasados por guerras e conflitos internacionais.

AS COOPERATIVAS

COOPERATIVAS POR RAMO NO BRASIL

COMO NASCEU A UNIMED

Em dezembro de 1967, foi fundada em Santos (SP) pelo Médico Edmundo Castilho a primeira Cooperativa de Trabalho Médico do Brasil - UNIMED

UNIMED NO BRASIL

SISTEMA UNIMED

386 cooperativas médicas, sendo 174 delas ligadas à Aliança Nacional Cooperativista Unimed

A CONSTRUÇÃO DO FUTURO

Liderança
Comprometimento
Participação
Alinhamento Estratégico

Uma pessoa sozinha dificilmente consegue ter voz no mundo globalizado em que vivemos. Mas tudo é muito diferente quando as pessoas se reúnem em grupos organizados em torno de interesses comuns, em que todos podem expor os seus pontos de vista, como manda a verdadeira democracia.

Em cooperativas, as pessoas adquirem poder de inserção social. Conquistam meios de sobrevivência. Difundem o espírito de cooperativismo. Promovem a melhoria de vida das comunidades, criando redes de proteção social.

A solidariedade é um valor muito forte nas associações, que criam essas redes de proteção social. E essa é a essência de vida em sociedade; essa é a essência da cultura de voluntariado: ajudarmos uns aos outros com o objetivo de vivermos num mundo mais digno e justo.

Em cooperativas, as pessoas adquirem poder de inserção social. Conquistam meios de sobrevivência.

Veja algumas fotos do encontro: